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quinta-feira, 20 de abril de 2017

COMPRA DE LIVROS EM INSTITUIÇÕES PÚBLICAS:
AS DIFICULDADES DA PESSOA JURÍDICA

Patrícia Ofélia Pereira de Almeida
Geneviane Duarte Dias

Bibliotecárias da Divisão de Formação
e Desenvolvimento da Coleção (DFDC) do SB/UEL

Comprar livros é uma tarefa muito simples para uma pessoa física. Ao sentir o desejo ou a necessidade de um título, basta localizá-lo em uma livraria física ou virtual, escolher uma das formas de pagamento, e o livro já pode ser retirado pela pessoa interessada. O prazo máximo que se deve esperar é o de faturamento e transporte, se for o caso de livraria virtual.
Ainda que o título esteja esgotado, pode-se procurá-lo em sebos ou mesmo em grupos de compra, venda e troca nas mídias sociais, tendo inclusive a possibilidade de conseguir um ótimo preço pelo livro.
Contudo, quando se trata de recursos financeiros em instituições públicas o sistema é um tanto diferente. Existem leis e decretos que regulamentam o uso desses recursos, e que demandam um maior prazo para que as aquisições sejam efetivadas. Por vezes é necessário aguardar longos meses até que haja liberação de orçamento, e ocorre que alguns títulos podem não estar mais disponíveis no mercado livreiro.
Mesmo que o livro solicitado esteja disponível em um sebo, os trâmites burocráticos tornam a aquisição proibitiva devido ao custo da documentação exigida do fornecedor.
O que se pretende nesse texto não é sugerir a dispensa da documentação (pois a legislação existe para garantir a isonomia entre os licitantes, visando a economia e melhor investimento de recursos), mas sim demonstrar de forma muito simples que devido a esse processo às vezes a instituição não consegue atender na íntegra às necessidades informacionais de seus usuários.
Em outras palavras, apesar de um livro poder estar disponível para alguma forma de aquisição, há casos em que não se consegue adquirí-lo porque os meios legais exigem algumas formalidades que não se consegue atender.

No caso do Sistema de Bibliotecas da UEL, a compra de livros segue as etapas, conforme figura abaixo.

Fonte: Próprio Autor.


REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei n° 10.753, de 30 de outubro de 2003. Institui a Política Nacional do Livro.  Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, D.F., 31 out. 2003. Seção 1, p. 1.

______. Lei nº 15.608, de 16 de agosto de 2007. Estabelece normas sobre licitações, contratos administrativos e convênios no âmbito dos Poderes do Estado do Paraná. Diário Oficial [do] Paraná, Curitiba, PR, 16 ago. 2007. p. 4.

PARANÁ. Governo do Estado. Instrumento de avaliação de cursos de graduação licenciatura, bacharelado e tecnólogo, presencial e EAD. Paraná: [Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior – SETI], 2013. Disponível em: http://www.uel.br/cpa/portal/pages/arquivos/pagina %20inicial/Anexo-3.pdf. Acesso em: 27 mar. 2017.

______. Manual técnico do orçamento: exercício 2017. Curitiba: [Secretaria da Fazenda], 2017. Disponível em:
http://www.portaldatransparencia.pr.gov.br/arquivos/File/planejamento_orcamento/manual2017.pdf.
Acesso em: 27 mar. 2017.

terça-feira, 28 de março de 2017

PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO DE REFERÊNCIA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS


Neide Maria J. Zaninelli
Bibliotecária da Divisão de Referência/ BC-UEL

A universidade, através da comunidade acadêmica integra a comunidade científica realizando pesquisas, criando novo saberes, transformando e disseminando a informação, produzindo conhecimento científico. Dessa forma, a missão das bibliotecas universitárias nas Instituições de Ensino Superior está envolvida no processo de desenvolvimento da ciência. Assim, o Serviço de Referência (SR) de uma biblioteca universitária tem a função de atender às necessidades de informação dos docentes, alunos e pessoal administrativo, tanto para apoiar as atividades de ensino, quanto de pesquisa e extensão.
O sucesso de um serviço de referência dependerá, em grande parte das competências técnicas e das qualidades humanas do bibliotecário responsável por esse serviço (SILVA, 2013). Nos últimos anos as bibliotecas em geral e os serviços de referência em particular, têm se confrontado com novos desafios como: o impacto das novas tecnologias de informação e comunicação, as novas técnicas de gestão apoiadas na satisfação do cliente e qualidade dos serviços prestados, o fluxo da comunicação científica, a internet e a explosão documental. Diante desses desafios os serviços de referência e as próprias bibliotecas vêem se forçados a oferecer novos serviços e produtos com diferenciais sob pena de perderem a sua importância no meio acadêmico. Lembrando também que todos esses acontecimentos têm contribuído decisivamente para a alteração do perfil do bibliotecário de referência.
Para muitos, o bibliotecário de referência é visto como mediador entre o usuário/pesquisador em busca de informação e de recursos e ferramentas onde essa mesma informação se encontra, ou seja, deve ser capaz de viabilizar o uso da informação, dominar as ferramentas e mecanismos de busca bibliográficos para acesso à informação e/ou conhecimento em qualquer recurso e/ou suporte informacional, compreender a estrutura da busca, ter uma estratégia para recuperar a informação.
Segundo Grogan (2001), existem dois tipos de ajuda que o bibliotecário pode exercer na função de referência: a função informacional e a função instrucional. A referência, no sentido informacional, responde às questões feitas pelos usuários. Já como função instrucional, apresenta-se como um serviço de educação de usuários, ensinando as pessoas a ter êxito na pesquisa e na utilização da informação em ambiente eletrônico.
O bibliotecário de referência, além de sua formação básica, deve ter qualidades distintas como: capacidade de síntese e análise a fim de responder às questões dos usuários (interpretação das questões/problemas do usuário); ter o desempenho de múltiplas funções (busca e recuperação da informação); investigação bibliográfica; atenção a diversos tipos de usuários e capacidade de entrevistar o usuário e eficiência na resposta dada ao mesmo; requer o domínio das fontes de informações (materiais e virtuais). Outras qualidades pessoais e necessárias para o contato e o diálogo permanentes com o público são: acessibilidade, apresentação cuidada, cortesia, amabilidade, capacidade de ouvir, dinamismo, bom senso, a paciência, curiosidade intelectual, inteligência, gosto pelo trabalho de pesquisa e investigação e a capacidade de ensinar, conhecimento profissional e intelectual, iniciativa, prudência, perseverança, cortesia. (MANGAS, 2007).
Assim sendo, será exigido um perfil polivalente que reúna qualidades e competências, sendo essas competências eminentemente de caráter técnico. Para Mangas (2007, p. 9-10), deverão ser as seguintes:
  • O domínio das técnicas da entrevista de referência;
  • O adequado conhecimento das obras de referência existentes [...];
  • A compreensão da relação entre as fontes de informação primárias e secundárias de uma determinada área científica;
  • O conhecimento do ritmo de crescimento da literatura respectiva, isto é, novas fontes são produzidas e surgindo com frequência;
  •  O conhecimento da idade das fontes e das respectivas lacunas;
  • A diversidade de recursos de informação de uma determinada área científica (fontes impressas, bases de dados, CD-ROM’s e Internet);
  • Conhecimentos das tecnologias de informação e comunicação.

Merlo-Vega (2003) complementa:
  •   ter capacidade de análise e síntese, para delimitar as consultas dos usuários e para que as respostas se ajustem     às perguntas;
  •  ser especialista em sistemas de busca e acesso à informação;
  •    familiarizar-se com as tecnologias e com as fontes de referência eletrônica;
  •   possuir capacidade de comunicação.

Merlo-Vega (2003) conclui que os bibliotecários de referência têm realmente um novo perfil, que os obriga a ser especialistas em recursos de informação e recuperação de dados, e ainda, possuir características pessoais como: proatividade, objetividade, nível cultural avançado e bom relacionamento interpessoal.
Podemos ainda enfatizar que o bibliotecário deverá ter conhecimento em ambiente da Web 2.0, para oferecer serviços e novos produtos, disseminação da informação e consulta ao acervo, o que amplia a interação e a colaboração do usuário com a biblioteca e bibliotecário. Entre as ferramentas utilizadas para esses fins, estão as redes sociais, que vem ganhando cada vez mais espaço e credibilidade.
É muito importante para o profissional bibliotecário dominar as técnicas de recuperação da informação, visto que, as tecnologias são ferramentas que facilitam o serviço de referência. Este mesmo profissional necessita ter habilidades técnicas para selecionar as informações de acordo com as necessidades dos usuários. E ainda ter habilidades humanas, ou seja, capacidade e julgamento necessário para lidar com as pessoas, inclusive com os conhecimentos dos diferentes níveis intelectuais e do comportamento dos indivíduos. A criatividade é igualmente importante, ou seja, ser criativo e saber lidar com situações não esperadas, criando consequentemente, soluções para qualquer problema.
Os profissionais precisam de capacitação contínua para estar aptos à prestação dos serviços de informação, acompanhando as mudanças tecnológicas e necessidades dos usuários.
Para finalizar, acredita-se que o bibliotecário deve ter, além de conhecimentos técnicos, de mediação da informação, um perfil dinâmico, com domínio das tecnologias, considerando que estas oferecem ferramentas que permitem uma posição mais dinâmica e pró-ativa do bibliotecário. Também, é essencial ter habilidades de gestão da informação e preocupar-se com a educação continuada, o que remete à competência informacional. Portanto, o bibliotecário de referência é indispensável nos serviços aos usuários, na satisfação das necessidades informacionais e no intuito de contribuir para o desenvolvimento da ciência e tecnologia, na sociedade digital. A figura abaixo apresenta uma síntese de perfil e competências do profissional bibliotecário.

Figura 1 – Competência para prestar referência/assistência informacional
 
     Fonte: Rossi, Costa e Pinto (2014).

 REFERÊNCIAS

CAPRI, D. et al. Análise de ofertas de emprego para bibliotecários de referência. Biblios, Lima, v. 1, n. 1, 2011.
GROGAN, D. A prática do serviço de referência. Brasília: Briquet de Lemos, 2001.
MANGAS, S. F. A. Como planificar e gerir um serviço de referência. Biblios, Lima, n. 28, abr–jun., 2007. Disponível em: http://eprints.rclis.org/12155/1/smangas1.pdf. Acesso em: 28 nov. 2016.
MERLO-VEGA, J. A. Pregunte a un bibliotecario: servicios de referencia em línea. Revista Española de Documentación Científica, v. 26, n. 11, 2003. Recuperado de: http://exlibris.usal.es/merlo/escritos/pregunte.htm. Acesso em: 28 nov. 2016.
ROSSI, T.; COSTA, M. D.; PINTO, A. L. Competências requeridas aos bibliotecários na prestação de serviços de informação em bibliotecas universitárias. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v.19, n.1, p. 111-123, jan./jun., 2014.
SILVA, T. L. Atuação dos profissionais do serviço de referência da biblioteca. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO,  25., 2013, Florianópolis.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

CONSIDERAÇÕES SOBRE AS VISUALIZAÇÕES DO BLOG DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA

 

Maria Aparecida dos Santos Letrari
Diretora do Sistema de Bibliotecas da UEL

                 A Web 2.0 gera mudanças significativas e inovadoras para as bibliotecas ganhando espaço e visibilidade, produzindo e difundindo informações. A biblioteca, como unidade de informação, tem a tecnologia a seu favor nos processos de coleta, armazenamento e disseminação da informação. Dentro deste prisma, o Blog do Sistema de Bibliotecas da UEL-SB/UEL, permite a realização de atividades de disseminação, acesso e uso da informação no ambiente Web, disponibilizando conteúdos, e assim, produzindo conhecimentos. Analisando os dados estatísticos do ano de 2016, é possível afirmar que as visualizações do Blog do SB/UEL, têm tido grande demanda. 
          As estatísticas são gerenciadas pelo Google Analytics, onde pode-se observar que desde a sua criação em maio 2010, o blog contabilizou até esta data, 47.629 visualizações de página, sendo que somente no período de janeiro a dezembro de 2016, teve 8.243 visualizações, mesmo com um período de greve na UEL. Conforme ilustra a Figura 1, pode-se constatar que a maioria das visualizações são do Brasil, com 30.976 visualizações de página, seguido dos Estados Unidos. Esses dados demonstram a grande visibilidade alcançada pelo blog, que vai muito além da universidade.
                        Figura 1. Visualizações de página por país
Fonte: adaptado de Google Analytics (2017).

Assim que os textos são publicados, observa-se que a maioria das visualizações acontecem a partir do navegador Chrome com 47% das visualizações de página, sendo que o sistema operacional mais utilizado é o Windows com 82%. 
              Figura 2. Visualizações por Navegador e Sistema Operacional
                     Fonte: adaptado de Google Analytics (2017).

A Figura 3 demonstra os 10 posts mais acessados, onde o primeiro lugar, com 2.372  visualizações, é a postagem Tecnologia de Comunicação: o uso do celular no cotidiano dos estudantes, uma mudança de comportamento, postado por Eliane M. S. Jovanovich e Suelen Souza Ribeiro da Biblioteca Setorial – BS/EAAJ.
          Figura 3. Postagens
Fonte: adaptado de Google Analytics (2017).

Os números de acesso ao Blog do Sistema de Bibliotecas da UEL, obtidos por meio da estatística do gerenciador do blog, e os principais motivos para sua escolha são: ferramenta gratuita, de fácil gerenciamento. Os dados demonstram a grande aceitação desde as primeiras publicações. Com o objetivo de estabelecer uma relação entre a biblioteca e a forma de uso das mídias sociais, foi feito uma atualização do blog, melhorando o design, acrescentando o link para as Redes Sociais e facilitando contato, para possibilitar o compartilhamento de informação.  Cabe ressaltar que, assim que os textos são publicados no blog, eles também são divulgados por meio de outras mídias sociais como: Twitter e Facebook.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

GESTÃO DE PESSOAS E DE COMPETÊNCIAS NA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA

Sidnei Chanan
Bibliotecário da Biblioteca Setorial de Ciências Humanas/SB-UEL


A gestão de pessoas na Universidade Estadual de Londrina se faz principalmente levando-se em consideração o Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS).
Buscando-se a compreensão do significado de plano de carreira, é necessário, primeiramente, conceituar o termo carreira, que pode assumir diversos significados, podendo ser usado em várias situações. Entretanto, nas mais diversas formas no qual este termo aparece, traz sempre a ideia de um caminho a ser seguido, algo estruturado e organizado.
London e Stumph (1982) apresentam a seguinte conceituação de carreira:

Carreira é a seqüência de posições ocupadas e de trabalhos realizados durante a vida de uma pessoa. A carreira envolve uma série de estágios e a ocorrência de transições que refletem necessidades, motivos e aspirações individuais e expectativas e imposições da organização e da sociedade. Da perspectiva do indivíduo, engloba o entendimento e a avaliação da sua experiência profissional, enquanto da perspectiva da organização, engloba políticas, procedimentos e decisões ligadas a espaços ocupacionais, níveis organizacionais, compensação e movimento de pessoas. Estas perspectivas são conciliadas pela carreira dentro de um contexto de constante ajuste, desenvolvimento e mudança. (LONDON; STUMPH, 1982 apud DUTRA, 2007, p. 17).

Já um plano de carreira representa um conjunto de normas que disciplinam o ingresso e instituem oportunidades e estímulos ao desenvolvimento pessoal e profissional dos trabalhadores, de forma a contribuir com a qualificação dos serviços prestados pelos órgãos e instituições, constituindo-se em instrumento de gestão da política de pessoas.
Na visão de Domingues e Ladosky (2007), os Planos de Carreiras, Cargos e Salários - PCCS - são importantes instrumentos gerenciais para as questões relacionadas à remuneração e carreira profissional dentro de uma administração/organização. O PCCS também é um dos elementos que permitem aos servidores públicos visualizarem a trajetória que têm pela frente, especificamente na administração pública, possibilitando aos profissionais do serviço público definir e planejar expectativas profissionais e de vida.
Sabendo então o significado do termo carreira e plano de carreira, pode-se assim analisar a carreira dos servidores técnico-administrativos da Universidade Estadual de Londrina. O serviço público no Brasil vem passando por mudanças nos últimos anos, principalmente as mudanças organizacionais originadas pelas novas tecnologias e pela informatização do conhecimento.
Neste contexto, o papel do servidor público também vem mudando e existe uma preocupação da administração pública em implantar políticas de gestão de pessoas e de competências, buscando capacitar servidores, com a finalidade de prestar um serviço público de qualidade à sociedade.
As universidades também vêm buscando aperfeiçoar o seu quadro de servidores, atendendo aos princípios constitucionais de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, seu norteador na busca de soluções práticas às exigências e anseios da coletividade. Assim, a gestão de pessoas e de competências na área pública tem um papel estratégico, no alinhamento de objetivos estratégicos da organização pública na gestão de pessoas.
Neste contexto, a Universidade Estadual de Londrina, tem procurado se adequar a um modelo gerencial mais dinâmico e eficiente, efetivar ações, com base no Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS), além de buscar desenvolver, capacitar e conhecer melhor as competências técnicas e habilidades de seus funcionários.
Como principais ações na Universidade Estadual de Londrina, a partir de março 2006, implantação do Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS), tenciona implantar: Plano de Capacitação; Avaliação de Desempenho; Perfil Profissiográfico; Sistema Banco de Talentos e Processo Seletivo de Relotação (PSR).
Entretanto, a aplicação dos métodos de gestão de pessoas e de competências em instituição pública depende da legalidade, visto que estes critérios são menos flexíveis do que em empresas privadas, uma vez que todos os aspectos ligados à carreira são estabelecidos por leis específicas e Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS).
Os gestores devem ter visão moderna, holística, capaz de promover as melhorias em seu ambiente de trabalho.  Este trabalho investigou os instrumentos de gestão e competências de pessoas na Universidade Estadual de Londrina. Ferramentas que estão se adequando às novas formas de gestão, baseadas no modelo de competências. Por um lado, é necessário que os servidores se adequem a estas novas ferramentas. Por outro lado, que a Instituição busque formas de incrementar o processo de reconhecimento de competências, visando excelência na prestação de serviços.
A Figura 1 sugere que conhecimentos, habilidades e atitudes, quando aplicados ao trabalho, geram um desempenho profissional que traz como conseqüências resultados tanto para o indivíduo quanto para a organização. Esse conjunto de ferramentas que auxiliam no desenvolvimento do conhecimento, das habilidades e atitudes dos profissionais dentro das organizações é o que se identifica como Gestão por Competências.


                                             Fonte: (FLEURY; FLEURY, 2001).

A gestão de pessoas e de competências na área pública tem um papel estratégico, pois visa ao alinhamento entre os objetivos estratégicos da organização pública e às políticas de desenvolvimento de pessoas.
A Universidade Estadual de Londrina, visando se adequar a um modelo gerencial mais dinâmico e eficiente, tem buscado efetivar ações, sempre baseadas no Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) que buscam desenvolver, capacitar e conhecer melhor as competências técnicas e habilidades de seus funcionários.

REFERÊNCIAS
DOMINGUES, M. R.; LADOSKY, M. H. Administração pública no Brasil e planos de carreiras negociados: experiências selecionadas. São Paulo: CUT, 2007. 96 p. Disponível em: http://www.escolasp.org.br/downloads/sistema/ck/files/publicacoes/adm-publica.pdf/administracao-publica-no-brasil-e-planos-de-carreiras-negociados.pdf . Acesso em: 17 dez. 2014.
DUTRA, J. S. Competências: conceitos e instrumentos para a gestão de pessoas na empresa moderna. São Paulo: Atlas, 2007.
FLEURY, M. T. L.; FLEURY, A. Construindo o conceito de competência. Revista de Administração Contemporânea On-line version, Curitiba, v. 5, n. esp., 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-65552001000500010&script=sci_arttext. Acesso em: 18 out. 2014.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

GESTÃO DE PESSOAS EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO: DESAFIOS E TENDÊNCIAS

Maria Aparecida da Silva Vória
Bibliotecária do Sistema de Bibliotecas da UEL - BS/CCS

Nas últimas décadas presencia-se grandes e históricos avanços. Todos esses avanços tornaram-se o grande salto para a construção de novos paradigmas, conceitos, exigências e metas, tanto empresariais quanto sociais.
O que se conhece por gestão de pessoas é a evolução do que era chamada administração de recursos humanos. Alguns autores, na atualidade, entendem que a gestão de pessoas considera as pessoas que trabalham nas organizações, não mais como empregados ou funcionários, mas como colaboradores ou parceiros. Logo, a gestão de pessoas, mais do que qualquer outro ramo da administração vem sofrendo esses desafios, sobretudo porque sua matéria está exatamente na mente humana, que é o conhecimento (GIL, 2001).
De acordo com Chiavenato (2008, p. 39), “as mudanças tornam-se rápidas, velozes, sem continuidade com o passado e as pessoas precisam estar preparadas para enfrentar novos desafios e ajudar a organização a superá-los”. Estas alterações influenciaram a práxis do bibliotecário, modificaram seu saber e se apresentam como desafios trazidos pela cultura digital. Desafios que devem ser reconhecidos pelo gestor de recursos humanos, para que sejam possíveis ações permanentes de capacitação profissional capazes de desenvolverem novas competências para novas tarefas. Trata-se de adotar novas posturas profissionais em reconhecimento à importância e ao valor do fator humano nas unidades de informação.
Na atual sociedade, a Unidade de Informação sai de “uma postura de armazenadora de informação para assumir uma postura centrada no processo de comunicação, o que significa abandonar a filosofia de posse e investir na filosofia do acesso” (PESTANA et al., 2003, p. 77). Assim sendo, para oferecer bons serviços, é necessário ter seus recursos humanos capacitados e motivados e não poupar esforços para manter em alta essa motivação. A Unidade de Informação precisa utilizar de diferentes tipos de instrumentos de motivação para satisfazer as necessidades de seus funcionários. O que exige muita atenção, dedicação e esforço do gestor a fim de criar o ambiente e as oportunidades capazes de fazer com que as pessoas executem as atividades em direção aos resultados das Unidades de Informação e, ao mesmo tempo, estejam satisfazendo suas necessidades e motivos.
Portanto, a capacitação e motivação da equipe de trabalho deve ser uma constante preocupação do gestor. Desta forma, com ênfase no investimento em treinamento para atender as necessidades e contribuir com desenvolvimento das relações interpessoais, capacitação e treinamento dos seus servidores a Universidade Estadual de Londrina[1] oferece cursos, palestras, eventos etc.
De acordo com Bueno (2005) o bibliotecário deve desenvolver novas visões a respeito da Unidade de Informação, precisa identificar as necessidades de mudanças e trabalhar para satisfazer as necessidades e objetivos da organização e dos indivíduos que as integram. É importante a motivação no ambiente pessoal e profissional do indivíduo e sua relação com os colegas de trabalho. Envolve a dedicação ao trabalho, questões de conduta, convivência em equipe, entre outras implicações da sociedade grupal. Esta cadeia de relacionamentos impulsionará todo o ciclo organizacional e todos devem sentir-se satisfeitos em suas atividades.
Necessário se faz acompanhar as tendências de administração e de gestão de pessoas, a fim de que se possa tomar decisões mais adequadas, pois a teoria constitui-se em apoio para o processo na prática. É imprescindível ter conhecimentos atualizados e procurar informação para sua própria capacitação e capacitar sua equipe de acordo com as necessidades que surgem, e até mesmo para se preparar para as exigências futuras (SANTA ANNA; PEREIRA; CAMPOS, 2014).
A capacitação pode solucionar sérios problemas, promovendo serviços de qualidade para a satisfação dos usuários. Outro aspecto é a humanização do trabalho, pois as pessoas devem se beneficiar das capacidades desenvolvidas tomando consciência de sua prática profissional e social (BELUZZO, 1995).
Diante disso, estimular e incentivar a capacitação profissional por meio de cursos, treinamentos e participação em eventos deve ser uma prática do gestor, uma vez que o ser humano, consequentemente, será valorizado, resultando num melhor desempenho de suas atividades.


REFERÊNCIAS

BELUZZO, R. C. B. Da capacitação de recursos humanos à gestão da qualidade em bibliotecas universitárias: paradigma teórico e prático para ambiente de serviço de referência e informação. 1995. Tese (Doutorado) - Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo.
BUENO, S. B. Proposta de gestão de pessoas em unidade de informação especializada: a força da motivação e suas implicações no processo de gestão de pessoas. Revista ACB Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 10, n. 1, p. 124-130, jan./dez. 2005.
CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.
GIL, A. L. Gestão de pessoas. São Paulo: Atlas, 2001.
PESTANA, M. C. et al. Desafios da sociedade do conhecimento e gestão de pessoas em sistemas de informação. Ciência da Informação, Brasília, v. 32, n. 2, p.77-84, maio/ago. 2003.
SANTA ANNA, J.; PEREIRA, G.; CAMPOS, S. O. Sociedade da informação x biblioteconomia: em busca do moderno profissional da informação (MIP). Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 10, n. 1, p. 68-85, jan./jun. 2014. Disponível em: https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/viewFile/293/293. Acesso em: 5 set. 2016.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016


Natali Silvana Zwaretch
Bibliotecária da Divisão de Referência do SB/UEL

Desde a Idade média o silêncio nas bibliotecas é considerado como uma norma universal, padrão essencial para que o objetivo da biblioteca seja atendido, o qual se destina a proporcionar um espaço onde os usuários possam se concentrar na leitura e conhecimento.
Na idade média, o acesso aos livros era privilégio de poucos, principalmente dos monges, visto que a finalidade da biblioteca era garantir a preservação da memória. As bibliotecas Monásticas da Igreja Católica consideravam os livros sagrados, impondo regras rígidas para o acesso aos pergaminhos e livros da época. Para tanto, nessa época, segundo Saenger (2002, p. 161):

[...] o ato de ler em voz alta dentro das bibliotecas dos mosteiros causava um enorme incômodo aos leitores vizinhos. Com isso, as normas das ordens religiosas passaram a exigir que cada convento ou mosteiro estipulasse uma sala de leitura em que o silêncio fosse absoluto, passando a reconhecer-se, a partir do regulamento da Biblioteca de Oxford do ano de 1431, a biblioteca como um local de total silêncio.

O conceito de biblioteca vem se alterando nos últimos anos, tanto pelos novos recursos e serviços disponíveis, como pelo usuário na busca da informação. A troca de experiências, informações e difusão do conhecimento é de extrema importância dentro das instalações da biblioteca, onde a interação e mediação da informação ocorre com mais intensidade. As bibliotecas vem buscando adequar-se a essas novas exigências, sempre com a premissa de que são ambientes voltados à discussão e ao aprendizado.
Esse é o novo e grande desafio das bibliotecas: adequar-se às novas exigências, tanto de informação como de usuário, e manter um ambiente silencioso. Alguns estudos mostram que uma mudança no layout do ambiente pode fazer a diferença, alternando espaços de estudos individuais e em grupo, colocando mesas mais distantes umas das outras, para melhor concentração dos usuários.
Nesse sentido, o Regulamento do Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Londrina prevê, em seu Art. 20º, como dever do usuário, “respeitar a ordem, a disciplina e o silêncio no recinto da Biblioteca” (UEL, 2016).
Porém, o que se observa é que os usuários, quando estão saindo ou entrando no hall principal da biblioteca, não se conscientizam que este espaço está dentro da biblioteca e não diminuem o volume da voz. Mas... Manter o Silêncio nas dependências das Bibliotecas é comportamento essencial e que deve ser respeitado, principalmente nos seguintes locais:

  • a partir da porta e hall de entrada das bibliotecas;
  • durante a guarda de material nos escaninhos;
  • ao consultar o catálogo on-line;
  • no balcão de empréstimos;
  • no salão de estudos e laboratório de informática.

Algumas atitudes por parte dos servidores e da Biblioteca também se faz necessário, como:
  • falar em tom baixo ao realizar o atendimento;
  • adequar as rotinas de trabalho para que haja o menor ruído possível;
  • evitar conversas paralelas em áreas de estudos e estantes;
  • manter campanhas permanentes de silêncio para conscientizar os usuários da importância do silêncio no recinto das Bibliotecas.

Nesse sentido, faz-se necessário a realização de campanhas sistemáticas do silêncio, sempre com o objetivo de “reforçar” a importância de respeitar os usuários que frequentam as dependências das bibliotecas, buscando concentração e silêncio para seus estudos, sendo primordial o comprometimento de todos os usuários e funcionários no sentido de colaborar para um ambiente mais silencioso.

Referências

SAENGER, Paul. A leitura nos séculos finais da Idade Média. In: CAVALLO, Guglielmo; CHARTIER, Roger (Org.). História da leitura no mundo ocidental. São Paulo: Ática, 2002. p. 147-184.

UEL. Sistema de Bibliotecas. Regulamento de funcionamento do sistema de bibliotecas da Universidade Estadual de Londrina. Disponível em: http://www.uel.br/bc/portal/arquivos/regulamento-bc.pdf. Acesso em: 29 jul. 2016.


quinta-feira, 28 de julho de 2016

O ACERVO DO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA (UEL)

Onsy Francisco Terciotti
Bibliotecário da Divisão de Circulação do SB/UEL

A organização física do acervo bibliográfico busca facilitar o acesso ao material, dividindo o mesmo em áreas do conhecimento, aproximando assim as áreas afins dos cursos da UEL.
Segundo Serdil Fundação Saint Pastous (2007, p.1) entende-se por acervo bibliográfico “a reunião parcial ou total dos documentos disponibilizados à comunidade, independentemente de ser impresso, eletrônico, digital ou com qualquer outra característica de suporte ou formato que defina o conjunto existente na Biblioteca”.
Partindo deste pressuposto em promover o acesso à informação torna-se inevitável disponibilizar aos usuários e pesquisadores conteúdos informacionais atualizados nos diversos suportes como: papel, multimídia (CD-ROM; DVD), e-books.
Sobre a importância da Biblioteca Universitária no contexto do ensino, Pinheiro e Silva (2016, p.1) destacam que:

A informação é um elemento importantíssimo para que as atividades profissionais estejam incorporadas na evolução que acelera a universalidade do conhecimento. Nesse sentido, a biblioteca [universitária] como um dos meios de transmissão do saber, deve utilizar todos recursos que hoje estão disponíveis para estar engajada nesse mundo repleto de informações, ofertando meios para a comunidade na qual está inserida o acesso a informação atualizada.
Portanto, a explosão de informações nos vários recursos informacionais precisa ser avaliada pelo profissional da informação, pois, há uma constante mudança e atualização do conteúdo informacional devido a novas descobertas das ciências (PINHEIRO; SILVA, 2016).
Ao abordar a biblioteca, Abreu (2003 apud PINHEIRO; SILVA, 2016, p.1) retrata a importância da biblioteca na formação do indivíduo destacando que:

[...] a biblioteca, como uma instituição social tão antiga e tradicional, tem, atualmente, a tarefa de coletar e disponibilizar materiais informacionais em diversos formatos, que representem essa variedade e essa riqueza de informações produzidas pela sociedade.
Neste contexto, a Biblioteca Universitária como elemento essencial no processo de construção do conhecimento humano, deve se pautar em uma política de desenvolvimento de coleção que supra as necessidades informacionais dos cursos de graduação e pós-graduação lato sensu e stricto sensu, para formar seu acervo bibliográfico, isto é, fomentar a qualidade do ensino, pesquisa e extensão.
Portanto, uma política de desenvolvimento de coleções quando bem elaborada facilitará ao profissional bibliotecário a seleção do material que será incorporado ao acervo da biblioteca, corroborando no desenvolvimento e na formação do indivíduo e do profissional, dando-lhe subsídio para novas descobertas nas diferentes áreas do conhecimento.
Uma política de desenvolvimento de coleções deve ter por prioridades:

u atender às bibliografias básicas e complementares dos cursos;
u manter o acervo atualizado e condizente com as necessidades dos cursos;
u contemplar a demanda dos usuários.

Ao abordar o uso dos materiais informacionais pertencentes ao acervo do Sistema de Bibliotecas da UEL, verificou-se por meio de estatísticas mensais e anuais a frequência dos usuários na biblioteca, o empréstimo e a consulta dos materiais bibliográficos.

Dados estatísticos quanto à utilização do acervo

No ano de 2015 registrou-se que a frequência de usuários  nas cinco unidades do Sistema de Bibliotecas da UEL foi 326.582, perfazendo um total de 1.680 usuários por dia. Quanto à consulta, foram registradas 50.278 consultas e 317.932 empréstimos de livros.
Com referência ao empréstimo observou-se que a obra mais emprestada nos últimos 14 anos é o Livro Fundamentos de Física dos autores Halliday e Resnick, volume 3. Nota-se que este título e volume possui 12 exemplares desta edição na coleção, além de outras edições mais antigas e mais recentes.
Portanto, pode-se considerar que o empréstimo deste exemplar torna-se relevante, merecendo destaque por sua contribuição na formação dos alunos que usufruem de seus conteúdos informacionais, ratificando a importância da biblioteca no contexto ensino, pesquisa e extensão.

Referências
FUNDAÇÃO SERDIL SAINT PASTOURS. Biblioteca. Política de desenvolvimento das coleções FSP 2007. Disponível em: http://www.saintpastours.org.br/biblioteca-politica. Acesso em: 10 jul. 2016.
PINHEIRO, Mariza Inês da Silva; SILVA, Vimário Carvalho da. Estudo de uso: uma análise de utilização das fontes de informação nas bibliotecas escolares públicas e privadas de Rondonópolis. Disponível em: http://gege.eci.ufmg.br/downloads/311.pdf. Acesso em: 15 jul. 2016.