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quarta-feira, 11 de abril de 2018

PROCESSOS DE DESBASTE E DESCARTE DA COLEÇÃO DE REFERÊNCIA DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UEL: RELATO

Elaborado por:
Edileusa Regina Aguiar dos Santos
Natali Silvana Zwaretch
Neide Maria Jardinette Zaninelli

A Biblioteca Universitária deve apresentar a informação de forma organizada, clara, concisa para a comunidade que está inserida, promovendo assim, ações de forma ágil e equilibrada em seu acervo. Para que uma coleção se desenvolva de forma racional e harmônica é importante que o profissional bibliotecário crie estratégias que assegurem a continuidade e a adequação precisa à formação e desenvolvimento do acervo.
A coleção da Divisão de Referência da Biblioteca Central da UEL é composta por livros, bibliografias, catálogos, diretórios, dicionários e enciclopédias especializados/técnicos e/ou linguísticos, atlas, mapas, periódicos e outros tipos de documentos.
Este relato está baseado nos descartes realizados nos anos de 2016 a 2018 dos Periódicos de Referência, ou seja, das Fontes Secundárias, os quais trazem informação agrupada/organizada, cujo conteúdo é baseado nas pesquisas e/ou documentos primários, que reúne e resume informações publicadas por vários autores, artigos de revisão, artigos de divulgação científica e outros. Os títulos avaliados foram: Chemical Abstracts, Psychological Abstracts, Animal Breeding Abstracts, Index Veterinarius, Veterinary Bulletin, Bibliography of Agriculture, Food Science and Technology Abstracts, e outros que se encontram em processo de descarte. Estes títulos já haviam sido desbastados da Coleção de Periódicos em 2003, os quais seguiram os critérios de: falta de consulta, desatualização e ocupação desnecessária do espaço.
Dias, Silva e Cervantes (2012, p. 46) afirmam que a eclosão dos documentos eletrônicos ampliou os meios de acesso e recuperação da informação, “fenômeno” que culminou no aumento dos “desafios de construção e implementação da política de desenvolvimento de coleções”.
Lancaster (1996 apud ROCHA, 2011) ressalta que o “desbaste pode melhorar a qualidade de um acervo”, haja vista que é a transferência de materiais antigos e pouco utilizados pelos usuários, para outros locais especialmente criados para abrigar este material, razão pela qual o desbastamento de um acervo é o “aproveitamento do espaço disponível em uma biblioteca.” E o descarte, para Rocha (2011) “é a retirada definitiva do material do acervo da biblioteca, com a correspondente baixa nos arquivos de registro da mesma.”
De acordo com Miranda (2004, p. 141) a prática de desenvolver coleções “[...] implica sistematizar e criar procedimentos para seleção, aquisição, avaliação e desbastamento do acervo.” Nesse sentido, o desbaste e descarte dos acervos do Sistema de Bibliotecas da UEL atende a Política de Desenvolvimento de Coleção, que possui critérios específicos como:

Obras que estão muito danificadas em condições físicas irrecuperáveis; volumes gastos, com páginas quebradiças, folhas ácidas e/ou faltando páginas ou partes, e ainda contaminadas por agentes biológicos [...]
Substituição de formato impresso por outros formatos eletrônicos, ou seja, as obras encontram-se indexadas em bases de dados bibliográficas disponíveis para acesso gratuito pelo Portal da CAPES;
Obras com seus conteúdos totalmente desatualizados e inadequados em relação aos atuais interesses do público-alvo da biblioteca (UEL, 2018).

O processo de desbaste de um material envolve o comprometimento e atitude do profissional ao avaliar e decidir se o mesmo deve ou não permanecer no acervo. Para Silva, Castro Filho e Quirino (2012, p. 51) é “uma tarefa de difícil execução, porém, não deve ser evitada, em que todas as decisões obedecem às políticas previamente aprovadas.”
Dessa forma a Divisão de Referência procedeu o descarte do material já desbastado em 2003 considerando a “Política de Desenvolvimento de Coleções do Sistema de Bibliotecas da UEL” utilizando os seguintes argumentos no “Laudo Técnico de Descarte” para as publicações periódicas:

§  As obras em materiais impressos encontravam-se em desbaste desde março de 2003, e, durante esse período não ocorreu nenhuma solicitação para consulta;
§  As obras estão com seus conteúdos totalmente desatualizados, e inadequados em relação aos atuais interesses do público-alvo;
§  As obras estão muito danificadas (inclusive faltando partes), com folhas ácidas e contaminadas por agentes biológicos (brocas, traças e outros);
§  Ocorreu a substituição de formato impresso por outros formatos eletrônicos, ou seja, as obras encontram-se indexadas em bases de dados bibliográficas disponíveis para acesso gratuito pelo Portal da CAPES.

Após a elaboração do Laudo Técnico de Descarte o mesmo foi submetido a avaliação de um docente especialista da área, e aprovado mediante a assinatura no laudo junto a Diretora do SB/UEL e a Chefe de Divisão da Referência. Na sequência o laudo, juntamente com a listagem das obras a serem descartadas foram apresentados em reunião para conhecimento e aprovação da “Comissão de Avaliação de Materiais Inservíveis”, que tem por competência a consolidação dos laudos de inservibilidade e obsolescência do material bibliográfico. Esta Comissão é composta pela diretoria do Sistema de Bibliotecas, Chefes das Divisões de Formação e Desenvolvimento da Coleção e de Referência da BC e por um docente representante de cada Centro de Estudos.
Concluímos, portanto, que a comunidade universitária não foi prejudicada com o descarte das referidas obras, visto que as mesmas estão contempladas no Portal de Periódicos da CAPES em formatos eletrônicos e atualizados. E, em contrapartida, o acervo ganhou espaço, ampliando a área de estudo aos usuários, bem como qualidade de conteúdo da coleção e melhor aspecto visual do ambiente.

REFERÊNCIAS
DIAS, G. D.; SILVA, T. E.; CERVANTES, B. M. N. Política de desenvolvimento de coleções para documentos eletrônicos: tendências nacionais e internacionais. Encontros Bibli, Florianópolis, v. 17, n. 34, p. 42-56, 2012.
MIRANDA, A. C. C. A política de desenvolvimento de coleções no âmbito da informação jurídica. In: PASSOS, E. (Org.). Informação jurídica: teoria e prática. Brasília: Thesaurus, 2004.
ROCHA, S. F. Desbaste é o mesmo que descarte? 2011. Disponível em: http://guiabibliotecario.blogspot.com.br/2011/12/desbaste-e-o-mesmo-que-descarte.html. Acesso em: 29 mar. 2018.
SILVA, M. R.; CASTRO FILHO, C. M.; QUIRINO, P. O. Desbaste e descarte em bibliotecas universitárias: mapeamento da produção científica. BJIS, Marília, v. 6, n. 2, p. 49-64, jul./dez. 2012.

UEL. Sistema de Bibliotecas. Política de Desenvolvimento de Coleções do Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Londrina. Londrina, 2018. No prelo.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

PERIÓDICOS CIENTÍFICOS ELETRÔNICOS: ALGUMAS ABORDAGENS

Geneviane Duarte Dias
Bibliotecária da Divisão de Formação e
Desenvolvimento da Coleção do Sistema de Bibliotecas da UEL.

              Os periódicos científicos vêm enfrentando alguns problemas, tais como o aumento considerável dos preços e dos títulos existentes. Inicialmente essas eram preocupações somente dos bibliotecários. Porém, durante a década de 1990, essa situação preocupante estendeu-se também entre os autores e os editores das revistas. No entanto, o crescimento da comunicação eletrônica na década passada tem sugerido ao mundo acadêmico que este modelo de publicação de periódicos científicos pode reduzir os custos consideravelmente. É razoável supor que o advento da internet e o crescimento das publicações eletrônicas promoveram a disseminação científica em grande escala, facilitando a transferência de artigos e arquivos via correio eletrônico e provocando alterações significativas nas atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (MEADOWS, 2011).
              Considerando, principalmente, o cenário nacional pouco favorável em virtude de escassez de recursos financeiros, os periódicos eletrônicos se apresentam como uma solução para a continuidade do conhecimento científico, proporcionando maior abertura, rapidez no alcance dos artigos com custos mínimos e possibilidades de impressão de cópias imediatas dos artigos. Em decorrência da migração do suporte impresso para o eletrônico, são solucionados alguns desses problemas relacionados à publicação e à manutenção dos periódicos. Sendo assim, outras questões passam a atribuir maior influência, tais como visibilidade, recuperação e armazenamento de arquivos (SARMENTO; SOUZA, 2002).
              O desenvolvimento das publicações eletrônicas pode ser dividido em quatro etapas. Na primeira ocorre o uso de computadores para gerar a publicação impressa (processadores de texto, editoração eletrônica). Na segunda etapa o texto passa a ser distribuído em formato eletrônico, além da versão equivalente impressa. Na terceira etapa a publicação eletrônica ainda apresenta o formato da impressa, porém agrega algumas características adicionais, como possibilidade de pesquisa, produção de metadados e serviços de alerta. Finalmente, na quarta etapa, as publicações são elaboradas já voltadas para o formato eletrônico, explorando potencialmente todos os recursos disponíveis (hiperlink, hipertexto, som, movimento, entre outros) (LANCASTER, 1995).
              Mesmo no panorama dos periódicos eletrônicos, os custos ainda são um dos temas mais debatidos. Variações em sua concepção e manutenção podem gerar custos de produção diferentes. Os periódicos eletrônicos podem ser menos dispendiosos, variando de 70% a 90% em relação à publicação impressa. Isso ocorre porque nas publicações em formato eletrônico (somente em formato eletrônico) incidem apenas os custos relativos à revisão pelos pares e à edição de texto. No entanto, o custo real de um periódico eletrônico irá depender do tipo de documento de codificação que será utilizado. Existe uma tendência em produzir os artigos de periódicos eletrônicos em múltiplos formatos. Isso para garantir que os usuários potenciais tenham acesso a um formato que seus computadores possam suportar (HARNAD, 1995; HOLOVIAK; SEITTER, 1997, tradução nossa).
              Os custos das publicações periódicas estão intimamente relacionados com os custos de produção. Porém, os críticos dos periódicos científicos têm observado que alguns editores comerciais parecem acrescentar um lucro substancial ao definir os preços das assinaturas. No caso de periódicos impressos, o assinante paga por uma cópia do periódico e o seu acesso torna-se perpétuo. Após o recebimento e o armazenamento, podem emprestá-lo e ler os artigos por um período ilimitado. No caso de periódicos eletrônicos, os assinantes estão pagando pelo acesso e não a posse. Após a expiração da sua assinatura, o acesso ao periódico original é perdido, a menos que a renovação da assinatura seja efetuada (KLING; CALLAHAN, 2003, tradução nossa).
              Os periódicos científicos eletrônicos apresentam diferenciais relevantes, tais como a velocidade de disponibilização permitindo maior agilidade na busca pela informação, a eliminação de barreiras geográficas e o acesso gratuito a centenas de documentos. Porém, a publicação eletrônica por si só não tem validade científica. Antes, deve ser julgada pelos mesmos critérios e padrões de avaliação utilizados nas publicações impressas, ou seja, política da revista, avaliação, reconhecimento e aceitação pelos seus pares (BOMFÁ, 2009).  
              A publicação eletrônica está sendo adotada também como uma alternativa aos autores que são incapazes ou não querem depender totalmente da indústria editorial. Todos os sistemas, inclusive o eletrônico, dependem das habilidades editoriais para que suas publicações tenham êxito e sejam bem-sucedidas. Apesar das alterações nos suportes, as forças do mercado editorial continuam exercendo um controle significativo sobre o sistema formal de comunicação científica (ALONSO-ARÉVALO, 2004, tradução nossa).
              O meio eletrônico oferece potencial intelectual e vantagens econômicas sobre as revistas em papel, uma vez que os artigos estão disponíveis integralmente e ao mesmo tempo para leitores de todo o mundo. Após sua aceitação, um artigo pode se tornar disponível rapidamente e ser acessado muito antes da versão impressa. Porém as barreiras econômicas podem ser um agravante. Caso o avanço editorial atenha-se somente às publicações eletrônicas, uma grande parte da população mundial, principalmente os países em desenvolvimento, pode ser excluída do acesso às publicações por razões puramente econômicas. Outro aspecto é a dificuldade de proteção da integridade das informações em periódicos eletrônicos, bem como a dificuldade de armazenamento e manutenção dessas publicações (HÖÖK, 1999, tradução nossa).
              Para as bibliotecas, a transição dos periódicos científicos para a versão eletrônica apresenta uma série de críticas e perguntas e que essa discussão tem sido alvo de muitos estudiosos. Essas ansiedades podem ser resumidas por meio dos seguintes questionamentos:
a)     Será que a versão eletrônica do periódico custa mais ou menos do que a versão em papel?
b)     Quais serão os termos de licenciamento e quem irá negociá-los?
c)      Com qual rapidez eu devo fazer a transição para periódicos eletrônicos?
d)     Devo interromper a minha assinatura de periódicos impressos?
e)     Quais serviços os periódicos eletrônicos irão me fornecer que sejam relevantes para os meus usuários?
f)       Será que vou ser capaz de selecionar os periódicos que eu quero inserir em minha coleção ou será que os periódicos serão agrupados pelo editor de origem?
g)     Como será a integração do periódico eletrônico em meu catálogo local e em outros serviços de referência, como por exemplo, as bases de dados bibliográficas?
              Este estudo pode ser lido na integra no trabalho denominado Organização Temática da Informação em Periódicos Científicos Eletrônicos desenvolvido na linha de pesquisa Organização e Representação da Informação e do Conhecimento do Programa de Mestrado Profissional da Universidade Estadual de Londrina.

REFERÊNCIAS

ALONSO-ARÉVALO, J. Comunicación científica y edición alternativa: visibilidad y fuentes de información en ByD. 2004. Disponível em: http://eprints.rclis.org/ handle/10760/6855#.TslNVOzIiSo. Acesso em: 7 set. 2011.
BOMFÁ, C.R.Z. Modelo de gestão de periódicos científicos eletrônicos com foco na promoção da visibilidade. 2009. 238 f. Tese (Doutorado em Gestão do Processo Editorial) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2009. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/ download/texto/cp122272.pdf. Acesso em: 1 nov. 2011.
HARNAD, S. Electronic scholarly publication: quo vadis? Ser. rev., New York, v. 21, n. 1, p. 78-80. 1995. Disponível em: http://cogprints.org/1691/1/harnad95.quo. vadis.html. Acesso em: 5 nov. 2011.
HOLOVIAK, J.; SEITTER, K. Hearth interactions: transcending the limitations of the printed page. Journal of Electronic Publishing, Michigan, v. 3, n. 1, jun. 1997. Disponível em: http://hdl.handle.net/2027/spo.3336451.0003.102. Acesso em: 2 set. 2011.
HÖÖK, O. Scientific communications: history, electronic journals and impact factors. Scand J Rehab Med., Uppsala, Sweden, v. 31, n. 1, p. 3-7, 1999. Disponível em:
http://link.periodicos.capes.gov.br.ez78.periodicos.capes.gov.br/sfxlcl3?url_ver=Z39.88-2004&url_ctx_fmt=infofi/fmt:kev:mtx:ctx&ctx_enc=info:ofi/enc:UTF-8&ctx_ver=Z39.88-2004&rfr_id=info:sid/sfxit.com:azlist&sfx.ignore_date_threshold= 1&rft.object_id= 95492 5442620.
Acesso em: 11 nov. 2011.
KLING, R.; CALLAHAN, E. Electronic journals, the internet, and scholarly communication. Annu. Rev. Inf. Sci. Technol., New York, v. 37, n. 1, p. 127-177. 2003.
LANCASTER, F. W. The evolution of electronic publishing. Libr. trends, Champaign, v. 43, n. 4, p.713-740, spring 1995.
MEADOWS, A.J.  Os periódicos científicos e a transição do meio impresso para o eletrônico. Rev. bibli. Brasília, v. 25, n. 1, p. 5-14, jan./jun. 2001. Disponível em: http://www.brapci. ufpr.br/documento.php?dd0= 0000000635&dd1=76c53. Acesso em: 10 nov. 2011.
SARMENTO E SOUZA, M. F. Periódicos científicos eletrônicos: apresentação de modelo para análise de estrutura. 2002. 142 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista, Marília, 2002. Disponível em: http://www.athena.biblioteca.unesp.br/exlibris/bd/bma/ 33004110043P4/2002/ sarmentoesouza_mfs_me_mar.pdf. Acesso em: 10 nov. 2011.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017


A IMPORTÂNCIA DO HÁBITO DE LER: DO PRAZER AO CRESCIMENTO PROFISSIONAL

Edileusa Regina Aguiar dos Santos
Bibliotecária na Divisão de Referência do SB/UEL


A reflexão sobre a importância da leitura mediante a visão de renomados autores relaciona o papel do profissional no desempenho de atividades aliado ao hábito de ler, como uma fonte de informações na construção do conhecimento desde sua formação acadêmica a conquista da realização pessoal e profissional, independente da área de atuação.
O que a [leitura] faz é o mesmo que acender um fósforo no campo no meio da noite. Um fósforo não ilumina quase nada, mas nos permite ver quanta escuridão existe ao redor. (William Faulkner).

A leitura é uma forma culta e necessária para toda e qualquer atividade, sempre fez parte de nossa rotina, antes mesmo da completa alfabetização. Marques (2017) a destaca como o potencial de um indivíduo que “absorve mais conhecimento e promove sua evolução enquanto ser humano e profissional [por] suas competências e habilidades.”
O hábito de ler representa um diferencial na vida e formação de uma pessoa, pela sua maneira de comunicar-se. O profissional que explora a leitura eleva e enriquece o seu vocabulário, nível de conhecimentos e se destaca pela sua forma culta somada à criatividade.
Valorizar a criatividade é inovar e reconhecer a importância da leitura. O processo de amadurecimento de um profissional não dispensa o contato com leituras de qualidade à conquista de novas aprendizagens, que permite construir e fortalecer ideias e planos de ações. É uma característica que propicia o autoconhecimento, privilegia a reflexão, capacita o profissional para motivar equipes de trabalho. A leitura é um aprendizado que avança com o conhecimento, cuja sincronia facilita a troca de informações na busca por atualização, imprescindível para o crescimento intelectual em atitudes concretas, principalmente, ao gerenciar novos sistemas, tomar decisões importantes e estabelecer relacionamentos entre diversos campos, sendo uma das mais importantes fontes da construção do saber, fundamental na escalada dos níveis da Educação.
O domínio da língua ao expressar-se com clareza, o desempenho funcional com excelência e responsabilidade, demonstra atitudes positivas de comportamento e cultura. Essas qualidades observadas em um profissional que costuma ler são evidentes, o que demonstra a ressignificação de valores e eficiência nas atividades individuais ou em grupo, conhecimento elementar que favorece um ambiente propício para desenvolver capacidades de aprendizagem.
A prática reflete a boa imagem da leitura como modelo perfeito, de um valor absoluto, para o bem individual e social como fonte de lazer e cultura, capacidade de raciocínio e de argumentação, um vínculo de reciprocidade entre o profissional e a equipe. 
Segundo Araújo (1984), a leitura é um comportamento positivo e reflexivo que supera toda uma simbologia, um meio de reaver novos conceitos essenciais para a realização pessoal e intelectual, um ótimo instrumento para estruturar as respectivas práticas profissionais, visto que “Muita gente lê mal porque não tem vocabulário e muita gente não tem vocabulário porque lê mal.” (RUIZ apud CARDOSO, 2008). Construir conhecimentos é tornar-se um empreendedor com a capacidade crítica e reflexiva. Verdadeiramente, a soma de conhecimentos está vinculada à construção do senso crítico, atitude que revela a forma de ser e de agir de um indivíduo e que permite reconhecer sua personalidade, característica social e marcante de cada um. (BATISTA, 2017).
O hábito de leitura facilita a interpretação, amplia o repertório linguístico, enriquece a construção da aprendizagem e mantém o profissional atualizado com reflexos positivos em suas atitudes e ações para solucionar dificuldades rotineiras do trabalho.
A leitura é uma fonte inesgotável de informações, que diante das transformações geradas por seu ritmo acelerado, precisa continuar a responder satisfatoriamente aos novos desafios. Ela não serve apenas para interpretar letras e compreender uma mensagem, envolve sentimento, além de relacionar conceitos com outros já aprendidos. É um caminho que leva a questionamentos e reflexões, formando um ciclo ativo, onde reconhecer no profissional o interesse pela leitura significa agregar valor ao seu potencial, senso crítico e participativo, concepção de novas ideias em aprimorar as habilidades, autonomia, a abertura de novos horizontes nesse processo de educação continuada e de sobrevivência, na era da globalização.

Referências
ARAÚJO, W. T. A leitura e sua remediação: revisão de literatura. Revista de Biblioteconomia de Brasília, Brasília, v. 12, n. 1, p. 65-72, 1984.
BATISTA, R. Importância da leitura. Disponível em: http://brasilescola.uol.com.br/ferias/a-importancia-leitura.htm. Acesso em: 5 jun. 2017.
CARDOSO, I. N. Leitura, plataforma para o sucesso. Disponível em: http://www.administradores.com.br/artigos/carreira/leitura-plataforma-para-o-sucesso/22084/. Acesso em: 5 jun. 2017.
MARQUES, J. R. A importância da leitura para sua vida profissional e pessoal. 2017. Disponível em: http://www.ibccoaching.com.br/portal/comportamento/a-importancia-da-leitura-para-sua-vida-profissional-e-pessoal/. Acesso em: 15 jun. 2017.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

          BIBLIOTECA CENTRAL DA UEL: 45 ANOS DE INFORMAÇÃO

Maria Aparecida dos Santos Letrari 
Diretora do Sistema de Bibliotecas do SB/UEL 
Ilda Giorgiani Cortezão
Secretária Executiva do SB/UEL

A Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina comemora, neste ano, 45 anos de sua criação. A comemoração do 45º aniversário será no dia 23 de outubro.
Foi instalada como Órgão Suplementar em 18/10/1972, por meio da Resolução nº 123/72. Hoje, está caracterizada como Órgão de Apoio da Universidade, atendendo as necessidades de informação de toda comunidade local, regional e nacional.
Criada através da Resolução nº 123/72. a  Biblioteca Central tem como missão promover o acesso, a recuperação e a transferência da informação para toda a comunidade universitária, de forma atualizada, ágil e qualificada.
Esse Órgão de Apoio é formado pela Biblioteca Central, e por quatro Bibliotecas Setoriais. São elas: de Ciências Humanas (CH), do Centro de Ciências da Saúde (CCS), da Clínica Odontológica Universitária (COU) e do Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos (EAAJ).
Nos últimos anos a Biblioteca Central tem promovido, durante a Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, atividades direcionadas à importância da biblioteca no cenário nacional. Além disso, divulga a profissão do bibliotecário e possibilita a sua atualização e desenvolvimento profissional.
Paralelo às comemorações do aniversário, será realizada a SEMANA NACIONAL DO LIVRO E DA BIBLIOTECA, no período de 23 a 27 de outubro, com uma vasta programação, conforme pode ser conferido na programação anexa. A Semana Nacional do Livro e da Biblioteca é comemorada em todo o país, de 23 a 29 de outubro. A data foi instituída pelo Decreto Lei nº 84.631, de 9 de abril de 1980.

A SNLB em 2017 será desenvolvida em rede, com atividades culturais e educativas em várias bibliotecas do município de Londrina, públicas, privadas, escolares, universitárias entre outras.

SEMANA NACIONAL DO LIVRO E DA BIBLIOTECA
“45 ANOS DE INFORMAÇÃO”

                            23 a 28 de outubro 2017

                             PROGRAMAÇÃO

Segunda-feira - 23/10/2017

Comemoração: 45 anos da Biblioteca Central e Abertura Oficial da SNLB
Abertura: Coro do Campus
Horário: 15h
Local: Biblioteca Central

Feira de Livros EDUEL
Horário: 8h-18h
Local: Biblioteca Central

Terça-feira - 24/10/2017

Palestra: "Trabalho e Tempo livre: Elaborando projetos de vida"
Palestrante: Professora Dra. Aurora Aparecida Fernandes Gonçalves - Departamento de Psicologia Social e Institucional/CCB
Horário: 14h
Local: Sala de Multimeios da Biblioteca Central

Feira de Livros EDUEL
Horário: 8h-18h
Local: Biblioteca Central

Quarta-feira - 25/10/2017

Inauguração da Mesa Filosofal
Idealizador e Patrocinador: Dr. Ricardo Sahão
Horário: 10h
Local: Biblioteca Setorial de Ciências Humanas

Feira de Livros EDUEL
Horário: 8h-18h
Local: Biblioteca Central

Quinta-feira - 26/10/2017

Palestra: DynaMed Plus: Ferramenta para Medicina baseada em evidência
Palestrante: Renan Neves  – Gerente da EBSCO Information Services
Horário: 14h
Local: Anfiteatro do Centro de Ciências da Saúde

Feira de Livros EDUEL
Horário: 8h-18h
Local: Biblioteca Central

Sexta-feira - 27/10/2017

Jantar Dançante: Anos 60, 70 & 80
Horário: 21h
Local: Buffet Erva Doce

Feira de Livros EDUEL
Horário: 8h-18h
Local: Biblioteca Central



terça-feira, 19 de setembro de 2017

TUDO QUE É LÍQUIDO SE DESMANCHA NO AR?
Ivana Lioti
Bibliotecária da Divisão de Processos Técnicos/SBUEL.


Fonte: Google images, (2017).
Nas últimas décadas, a sociedade moderna vem passando por mudanças econômicas, sociais e culturais em um ritmo cada vez mais intenso. Antigamente, os conceitos transformavam-se de uma maneira mais lenta e previsível, o que conferia certa segurança aos indivíduos e a noção de um controle sobre o mundo. A partir da segunda metade do século XX, graças aos vertiginosos avanços tecnológicos, o ritmo de mudanças foi aumentando cada vez mais e hoje percebe-se o declínio da chamada era sólida da modernidade.
Zygmunt Bauman, um sociólogo polonês, cunhou o termo “modernidade líquida” para caracterizar a sociedade atual. O termo usado por Bauman faz referência a fluidez de um líquido, pois o líquido não conserva sua forma por muito tempo
A Modernidade Líquida é fluida, caracteriza-se pela constante mudança, sem ter previsão de término, ou seja, as instituições, referências, estilos de vida e até mesmo crenças e convicções assumem essa fluidez e mudam antes de terem tempo de se solidificar em costumes e hábitos. A sociedade atual nos impõe mudanças o tempo todo, em curtos espaços de tempo, não sendo possível consolidar rotinas, hábitos, virtudes, valores ou formas de agir do indivíduo.
O moderno “líquido” traz uma idéia de que os objetos originais ou concretos podem ser substituídos por figuras virtuais, ou seja, as realidades virtuais. Assim, é comum a preferência do sujeito social pela imagem em detrimento do objeto real. Como exemplo disso vemos que hoje em dia as pessoas não revelam mais fotografias (objeto real); tudo está on line, nas redes sociais. Apesar dos indivíduos estarem cada vez mais conectados e informados por meio dos aparatos tecnológicos, existe uma carência de vínculos, comprometimentos e solidez da informação obtida, tudo é muito descartável. O mundo contemporâneo está cada vez mais dinâmico, fluido e veloz. Torna-se difícil imaginar a vida sem Internet e celular. A informação está ao alcance da mão, em qualquer lugar que estejamos.
O meio eletrônico e online dominam a preferência em detrimento dos meios mais convencionais, por sua rapidez e comodidade. Por causa desse contingente informacional, o indivíduo enfrenta um problema sem precedentes na história, a dificuldade em filtrar as informações pertinentes e confiáveis que venham realmente a se internalizar e transformar dados informacionais em conhecimento real. Torna-se também difícil avaliar a qualidade e veracidade de tal montante de informações acessadas. Isso pode criar um paradoxo: quanto mais informação, menos conhecimento?
Houve um tempo em que se acreditava que a quantidade de informação estaria diretamente proporcional a maior criação de conhecimento. Mas percebe-se, hoje, exatamente o contrário, a informação está disponível de tal forma e tal quantidade que dificulta a capacidade assimilação e entendimento e isso interfere negativamente na produção de conhecimento.
Bauman aponta o Google como sendo a maior biblioteca do mundo, mas é um acervo de trechos, de partes e pedaços desconectados. Por isso o autor faz uma crítica a quantidade em detrimento da qualidade informacional.
As formas de aprendizagem, de buscar informação, atualmente são muito diferentes. Por exemplo: quem usa dicionário? Quem consulta uma enciclopédia? Quem tem caderno de receitas? Quem tem agenda telefônica ou de compromissos? Quem tem álbum de fotografias? Quem tem coleção de CDs ou DVDs? Ora, certamente os mais os jovens não têm. Os indivíduos contam com outros meios de armazenar informações e acessá-las. A humanidade conta, hoje, com um acesso extremamente amplo a todo tipo de documentos e registros de conhecimento, do passado e do presente. Diante desse cenário, como a biblioteca como centro de informações vai se posicionar? Muita coisa já mudou nos ambientes de biblioteca com relação aos meios de disponibilizar e acessar a informação, mas são mudanças lentas e tímidas se comparadas à velocidade em que ocorrem as mudanças de comportamento dos usuários de informação. Diante de tantas possibilidades, como filtrar a informação relevante a cada público? A biblioteca e o profissional bibliotecário estão capacitados para continuar agindo como mediadores da informação? Há muitas perguntas e poucas certezas. Mas uma coisa é certa: os indivíduos nunca estiveram tão perdidos como encontram-se agora nesta “Modernidade Líquida”, sem saber o quão verdadeiro ou falso pode ser o contingente de informação que recebem a todo momento. Hora de criar novas práticas e fazeres para lidar com novas situações. Quem vai se habilitar?

REFERÊNCIAS
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
FURLAN, Cássia Cristina; MAIO, Eliane Rose. Educação na Modernidade Líquida: Entre tensões e desafios. Mediações: Revista de Ciências Sociais, v.21, n.2, 2016. Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/mediacoes/article/view/27999/pdf. Acesso em: 2 set. 2017.
HAROCHE, Claudine. O sujeito diante da aceleração e da ilimitação contemporânea. Educação e Pesquisa, v. 41, n. 4, 2015. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-97022015000400851&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 2 set. 2017.
SANTOS, Guilherme Ferreira; SILVA, Otávio Guimarães Tavares da. Conceito de modernidade líquida: revisão teórica e implicações para a prática de vida. Cadernos Zygmunt Bauman, v. 3, n. 5, 2013. Disponível em: http://www.periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/bauman/article/view/1490. Acesso em 2 set. 2017.
SILVA, Edna Lúcia da.; LOPES, Marili Isensee. A internet, a mediação e a desintermediação da informação. DataGramaZero, v. 12, n. 2, 2011. Disponível em: http://www.brapci.ufpr.br/brapci/index.php/article/view/0000010071/d186d855b6d8bc8b8ff282be1ba2bdcc. Acesso em; 2 set. 2017.

TANUS, Gabrielle Francinne de S. C. Enlace entre os estudos de usuários e os paradigmas da ciência da informação: de usuário a sujeitos pós-modernos; Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação. São Paulo, v. 10, n. 2, p. 144-173, jul./dez. 2014. 

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

MOTIVAÇÃO DOS RECURSOS HUMANOS EM UNIDADES DE INFORMAÇÃO

Maria José Sandra de Araújo Terciotti
Bibliotecária da Biblioteca Pública Municipal de Ibiporã-Pr

As relações humanas são inerentes ao homem que possuindo diferenças individuais como: personalidade, aspirações, valores, aptidões e até as motivações, sofrem influências do ambiente o que reflete nas suas atitudes e comportamento. Por termos limitações individuais torna-se indispensável a cooperação, a fim de alcançar objetivos pessoais, de um grupo ou organizações.
Sabe-se que as equipes de trabalho em bibliotecas e/ou unidades de informação, mesmo enfrentando dificuldades orçamentárias, de recursos humanos, precisam atender aos objetivos e metas da instituição mantenedora, com atividades que justificam sua conservação e manutenção, além das demandas e solicitações da comunidade usuária.
Neste contexto destacam-se os conceitos e técnicas motivacionais, buscando identificar sua prática e influência nas organizações na construção de um ambiente de trabalho produtivo e que estimule as pessoas a desempenhar suas tarefas de forma efetiva, valorizando o indivíduo e propiciando a satisfação de ambas as partes.
Chiavenato (2002) classifica as pessoas como agentes ativos e proativos e que constituem um fator de competitividade para a empresa, ou seja, é o que a faz prosperar e alcançar seus fins. Neste contexto a eficiente gestão de pessoas está tornando-se uma atividade imprescindível para o sucesso de um empreendimento, mesmo em uma unidade de informação (RAMOS, 1996).
Assim, para bem gerenciar uma unidade informacional é necessário, conhecer a extensão do seu trabalho, saber buscar e administrar os recursos (humanos, financeiros e físicos), no desenvolvimento de produtos e serviços para que estes venham ao encontro dos anseios informacionais de sua clientela.
Assim, o estudo sobre motivação nas organizações é realmente um fator que contribui para o entendimento e conhecimento de mecanismos que influenciam o comportamento das pessoas.
Nas unidades de informação ou nas demais organizações, dos vários fatores que influenciam o desempenho no trabalho. A motivação é um potencial que pode induzir uma pessoa ou grupo, mesmo tendo necessidades distintas, a atingir tanto os objetivos organizacionais quanto os pessoais, isso se estimulado a sua capacidade, que de acordo com (LIMA, et al., 2008), a motivação de uma pessoa está ligada diretamente ao desenvolvimento de suas capacidades humanas, pois é preciso entender que as pessoas possuem sentimentos, desejos e ambições, cada qual com seus motivos.
Neste contexto faz-se necessário mostrar à equipe a importância de seu trabalho e os objetivos e metas da organização a serem alcançados, envolvendo-os e valorizando o desempenho de cada um, apoiando e estimulando o seu trabalho para o alcance dos objetivos propostos.
As teorias motivacionais originaram-se da Teoria das Relações Humanas, pois antes o foco era nas tarefas e na estrutura do trabalho, hoje a ênfase passou a ser nas pessoas.
Buscando-se assim, compreender o comportamento individual para explicar o organizacional, conforme Maximiano (2000), as primeiras hipóteses sobre motivação foram propostas pelos filósofos gregos sobre conceito felicidade.
Lima et al., (2008), dizem que as teorias motivacionais propiciam aos administradores criar um ambiente em que os indivíduos e grupos trabalham em prol dos objetivos da organização. Já Maximiano (2000) dividiu as teorias motivacionais em dois grupos: as teorias do processo, que procura explicar como funciona o mecanismo da motivação e as teorias de conteúdo, que explica quais são os motivos específicos que fazem as pessoas agirem.
Para compreendermos a necessidade da motivação humana, nos atemos às teorias de conteúdo ou (teoria da necessidade), como mencionado anteriormente, pois, buscam explicar quais são os motivos que leva o indivíduo a agir ou apresentar certo comportamento.
Portanto, na literatura pesquisada identificamos duas principais teorias da motivação humana, sendo: a) Hierarquia das necessidades humanas de Abraham Maslow; e b) Dois fatores - higiênicos e motivacionais de Frederick Herzberg.
A teoria de motivação de Abraham Maslow está organizada por uma hierarquia das necessidades humanas que se dividem em cinco grupos, formando uma espécie de pirâmide, na base ficam as chamadas necessidades primárias e ao topo as necessidades secundárias.

1.  Necessidades Fisiológicas ou básicas;
2.  Necessidades de segurança;
3.  Necessidades sociais;
4.  Necessidade de estima;
5.  Necessidade de autorrealização.

Neste contexto, sabemos que todo indivíduo é motivado basicamente pelas necessidades humanas, independente de qual seja. Como identificado por Santos, Almeida e Valentim (2011), a motivação humana está relacionada ao atendimento das distintas necessidades.
Portanto, o que estimulará a satisfazer esta ou aquela necessidade, dependerá da situação e motivação de cada um, pois quanto maior a necessidade, mais intensa é a motivação, e como dito anteriormente é um processo cíclico.
A teoria desenvolvida por Frederick Herzberg (apud CHIAVENATO, 2002; LIMA, et al., 2008), é a Teoria dos dois fatores de Herzberg: Motivação – Higiene. Fundamenta-se em dois aspectos que influem o desempenho no trabalho: os fatores motivadores (intrínsecos) e os fatores de higiene (extrínsecos).
Os fatores motivadores estão relacionados ao conteúdo do cargo, as tarefas. Já os fatores higiênicos referem-se às condições do ambiente de trabalho tanto físicas e ambientais, o salário, benefícios, clima de relações entre superiores e subordinados, regulamentos internos. Estes são necessários para evitar a insatisfação, no entanto não são suficientes para provocar a satisfação.
Com esta teoria Herzberg propõe o enriquecimento de tarefas, com a ampliação de responsabilidade, os objetivos e o desafio das tarefas do cargo.
O clima organizacional possivelmente implicará na motivação dos funcionários, que requer um ambiente agradável em que a pessoa se sinta bem, com ela mesma e entre seus colegas de trabalho, satisfazendo não apenas as suas necessidades básicas, mas contribuindo na cooperação com o grupo.
É notória a necessidade da existência de uma liderança que contribui para o melhor desempenho de sua equipe de trabalho, em estimular o desejo de seus colaboradores, da mesma forma os colaboradores devem trabalhar participativamente, sentir-se estimulado e ter a consciência que o resultado do seu trabalho influenciará na produtividade e credibilidade da organização.
Contudo para a motivação do trabalho em unidades de informação, são necessárias algumas atitudes do gestor para com a equipe como:

Ø     Fazer com que todos estejam envolvidos e integrados com a rotina, mantendo-os informados sobre o andamento das atividades;
Ø     Buscar soluções junto à equipe, discutir, avaliar e cultivar a troca de experiências, para que cada pessoa contribua com ideias e inovações;
Ø     A valorização da equipe com reuniões agendadas para que todos expressem suas ideias e sugestões, e que estas sejam discutidas pelo grupo, e que cada qual seja reconhecido como um colaborador e não como apenas mais um funcionário;
Ø     Confiar responsabilidade, faz a pessoa se sentir importante e competente no que realiza, aumenta a segurança e estimula seu potencial;
Ø     Ser receptivo a todos procurando ouvir suas ideias e sugestões, mesmo que não sejam totalmente acatadas, mas que possa estimular as iniciativas de todos.
 Considera-se a pessoa como um ser integral e elemento essencial de uma organização e que o desempenho dos seus colaboradores está relacionado com a motivação. Portanto quando o funcionário é reconhecido e motivado no seu de trabalho, ele se torna realizado tanto no campo profissional quanto no pessoal, pois, realizará as suas atividades com eficiência e dedicação fazendo a diferença para toda organização.

REFERÊNCIAS
CHIAVENATO, Idalberto. Recursos humanos. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
______. Introdução a teoria geral da administração. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
LIMA, Claudinete Salvato, et al. Análise das práticas de motivação nas organizações e sua influência na melhoria da qualidade e produtividade do trabalho. In: CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO, 4., 2008, Niterói. Anais... Niterói, RJ. 2008. p. 1-12. Disponível em: <www.latec.uff.br/cneg/documentos/anais_cneg4/T7_0049_0156.doc>‎.  Acesso em: 15 abr. 2013.
MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Teoria geral da administração: da escola cientifica à competitividade na economia globalizada. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
RAMOS, Paulo Baltazar. A gestão na organização de unidades de informação. Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 25, n.1, 1996. Disponível em: http://revista.ibict.br/ciinf/índex.php/ciinf/article/view/483/438. Acesso em: 7 set. 2013.
SANTOS, Vanessa Lima; ALMEIDA, Daniela Pereira dos Reis; VALENTIM, Marta Lígia Pomim. Motivação de equipes em unidades de informação. Biblios, n. 45, p. 40-63, 2011. Disponível em: http://biblios.pitt.edu/ojs/index.php/biblios/article/view/42. Acesso em: 30 ago. 2013.

sexta-feira, 7 de julho de 2017


BUSCA E USO DA INFORMAÇÃO POR ESTUDANTES DE GRADUAÇÃO

Marinalva Luiza de Almeida[1]
Técnico Administrativo da Biblioteca Setorial do CH - SB/UEL

Na sociedade atual a informação tornou-se imprescindível para direcionar as pessoas no meio profissional, educacional e pessoal. No entanto, a grande quantidade de informação disponível nas variadas fontes de informações requer das pessoas habilidades para gerir e extrair o que realmente é relevante para possibilitar o preenchimento da falta de conhecimentos. Verifica-se que à medida que a tecnologia se desenvolve, possibilita o aumento e disseminação de informações, assim pressionando as pessoas a se atualizarem.
Com relação aos estudantes de graduação constata-se que eles precisam de informações para o estudo e pesquisa, assim, a demanda de trabalhos e a consequente busca e uso da informação poderão desencadear sentimentos como ansiedades e incertezas, principalmente em estudantes que não possuem as habilidades necessárias desenvolvidas. Desse modo, observa-se a importância de uma biblioteca universitária com recursos informacionais atualizados e profissionais competentes para auxiliar os estudantes ao realizar a sua busca de informação.

Comportamento Informacional

No procedimento de busca e uso de informação, as pessoas tendem a atuar de maneira distinta, cada uma de acordo com seu conhecimento prévio e suas necessidades. Como afirma Bartalo, Di Chiara e Contani (2011) o comportamento informacional é um entre os vários comportamentos humanos e acrescentam que o comportamento informacional é decorrente das atividades desenvolvidas para suprir a necessidade de informação. O comportamento informacional envolve diversas ações, desde o estabelecimento das necessidades de informação até a busca e o uso de recursos informacionais para satisfazê-las.
A pessoa percebe a necessidade de informação quando se depara com um problema e verifica que seus conhecimentos prévios não são suficientes para resolvê-lo. Assim, reconhece a necessidade de buscar novas informações. Geralmente inicia-se a busca por informações para aprofundar o conhecimento em um determinado assunto que acredita ser importante ou resolver uma situação problemática (KUHLTHAU, 2010, p. 29).
Para Ramalho (2012) a necessidade de informação é o que motiva e orienta a pessoa para a busca e o uso da informação. Normalmente, esse tipo de necessidade está relacionado com as atividades que desempenha em seu dia a dia, sejam de ordem profissional ou particular. A busca de informação é uma das etapas necessárias no processo realizado para suprir as necessidades de informação.

Busca e uso da informação

De acordo com Choo (2006, p. 102) “a busca da informação é, o processo pelo qual o indivíduo engaja-se decididamente em busca de informações capazes de mudar seu estado de conhecimento”. Em outras palavras, a busca pela informação acontece quando a pessoa precisa atingir objetivos almejados, mas se dá conta de que para isso é necessário adquirir mais conhecimentos e para tanto deve buscar informações para que possa atingir o nível de exigências que seus objetivos requerem.
No processo de busca e uso de informação independente do problema a resolver a pessoa tende a passar por várias etapas, tais etapas demandam tempo, paciência, dedicação e principalmente habilidades para usar de forma eficaz as várias fontes onde as informações estão armazenadas. As fontes de informação são de um modo geral, todos os locais onde se pode encontrar informação, a maioria estão disponibilizadas tanto no meio eletrônico como tradicionalmente impressa, elas podem ser consideradas de grande importância para os estudantes de graduação ao realizar suas pesquisas.
Para Cunha (2001, p. 7) “o uso regular e efetivo das fontes apropriadas, impressas ou eletrônicas, é a chave para se alcançar o sucesso na pesquisa e desenvolvimento, como também em qualquer atividade ligada a ciência e tecnologia”. Assim verifica-se que as fontes de informação são fundamentais para o desenvolvimento das atividades acadêmicas e científicas dos estudantes.
No entanto Gomes e Dumont (2015) ressalta que, a capacidade de utilizar as fontes de informações refere-se à competência em informação, o que provavelmente é indispensável para que o pesquisador tenha êxito quanto à compreensão da informação e o desenvolvimento de sua pesquisa. Nesse sentido conforme Varela e Barbosa (2012, p.157):

Buscar e usar informação constitui-se em competências cruciais na sociedade da aprendizagem, envolve a busca ativa ou passiva da informação, planejamento, estratégias e motivação para atingir os objetivos, monitoração de estratégias, conhecimento e definições de canais ou fontes de informações potenciais, competências para utilizar tecnologias de informação e avaliação desse processo.

Diante disso, percebe-se que o estudante ao desenvolver suas atividades acadêmicas deverá ser competente em informação, para ser capaz de acessar, avaliar, usar e transformar a informação de maneira crítica e eficiente.
Dessa forma, a biblioteca universitária deverá ser uma grande aliada dos estudantes principalmente para aqueles que apresentam dificuldades de aprendizado e de desenvolver suas competências, afinal nem todos chegam à graduação com as habilidades necessárias e desenvolvidas. Em meio a essa realidade, os profissionais da informação devem se atualizar constantemente para auxiliar os estudantes acadêmicos em relação ao desenvolvimento de suas habilidades.

Referências

ALMEIDA, Marinalva Luiza de. Busca e uso da informação por estudantes de graduação que usam a Biblioteca Setorial de Ciências Humanas da UEL. Londrina, 2017. 78 f.
BARTALO, Linete; DI CHIARA, Ivone Guerreiro; CONTANI, Miguel Luiz. Competência informacional: suas múltiplas relações. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, Maceió, 2011.  Anais... Maceió: FEBAB, 2011.
CHOO, Chun Wei. A organização do conhecimento: como as organizações usam a informação para criar significado, construir conhecimento e tomar decisões. 3. ed. São Paulo: Senac, 2006.
CUNHA, Murilo Bastos. Para saber mais: fontes de informação em ciência e tecnologia. Brasília: Briquet de Lemos, 2001.
GOMES, Marcos Aurélio; DUMONT, Lígia Maria Moreira. Possíveis relações entre o uso de fontes de informação e a competência em informação. TransInformação, Campinas, v. 27, n. 2, p. 133-143, maio/ago. 2015.
KUHLTHAU, Carol Collier. Como orientar a pesquisa escolar: estratégias para o processo de aprendizagem. Belo Horizonte: Autentica, 2010.
VARELA, Aida; BARBOSA, Marilena Lobo Abreu. Trajetórias cognitivas subjacentes ao processo de busca e uso da informação: fundamentos e transversalidades. Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Santa Catarina, v. 17, n. esp. 1, p. 142-168, 2012.




[1] Texto elaborado a partir do TCC: Busca e uso da informação por estudantes de graduação que usam a Biblioteca Setorial de Ciências Humanas da UEL.  Orientadora: Profª Drª Adriana Rosecler Alcará.