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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Bibliotecas Setoriais e Especializadas do Sistema de Bibliotecas da UEL

Eliane M. S. Jovanovich
Bibliotecária Encarregada da BSEAAJ
Márcia Carvalho
Bibliotecária Encarregada da BS/COU
Vilma A. F. de Jesuz
Bibliotecária Encarregada da BS/CCS

É notório o grau de importância de uma biblioteca em uma instituição, sendo fundamental no contexto educacional e social. Nas instituições de ensino ocupam um lugar de destaque. Geralmente está vinculada a uma instituição pública, ou privada podendo também se caracterizar como uma biblioteca universitária, quando vinculada a uma unidade de ensino superior, desempenhando um papel de suma importância.
A literatura aborda alguns conceitos sobre os tipos de bibliotecas: de acordo com Ferreira (1976) biblioteca universitária é a que serve aos estabelecimentos de ensino superior, destinada aos professores e aos alunos, embora possa ser acessível ao público em geral; biblioteca central da universidade é a biblioteca ou órgão que centraliza ou coordena, de direito ou de fato, as atividades biblioteconômicas e documentárias da universidade e biblioteca setorial é um tipo de biblioteca universitária, geralmente vinculada administrativamente à biblioteca central, que serve a centros, institutos, escolas ou cursos da universidade.
Cunha e Cavalcanti (2008, p. 51) dizem que biblioteca especializada “é uma biblioteca organizada sobre disciplinas ou áreas especificas do conhecimento, organizada para certas categorias de usuários.”
Diante desses conceitos podemos asseverar que o Sistema de Bibliotecas da Universidade Estadual de Londrina é composto por 01 (uma) Biblioteca Central e 04 (quatro) Bibliotecas Setoriais conforme discriminado no quadro 1, as quais são vinculadas administrativamente e tecnicamente à Biblioteca Central e estão localizadas geograficamente próximas aos respectivos órgãos ou centros de estudos da UEL, facilitando aos usuários o acesso às coleções e às informações para suas necessidades de pesquisa.

Quadro 1 – Distribuição das Bibliotecas da UEL
BIBLIOTECA
LOCALIZAÇÃO
PUBLICO DEMANDADO
Biblioteca Central – BC
Localizada em área central no campus universitário
Discentes, docentes, funcionários e comunidade externa.
Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde – BS/CCS
Localizada na região sudeste de Londrina, junto ao Centro de Ciências da Saúde e Hospital Universitário – CCS/HU
Discentes, docentes, funcionários e comunidade externa da área de Medicina, Enfermagem, Farmácia e Fisioterapia.
Biblioteca Setorial da Clínica Odontológica Universitária – BS/COU
Localizada na região central de Londrina, junto à Clínica Odontológica Universitária – BS/COU
Discentes, docentes, funcionários e comunidade externa.
Biblioteca Setorial do Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos – BS/EAAJ
Localizada na região central de Londrina,  junto ao Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos- EAAJ
Discentes do 4º e 5º anos de Direito, docentes e funcionários e comunidade externa.
Biblioteca Setorial de Ciências Humanas – BS/CH
Localizada no campus universitário, próximo aos centros de estudos da área de Ciências Humanas.
Discentes, docentes, funcionários do Centro de Educação Comunicação e Artes  (CECA), Centro de Estudos Sociais Aplicados(CESA), Centro de Educação Física e Esporte (CEFD), Centro de Letras Ciências Humanas (CLCH), e comunidade externa.
Fonte – Autoria própria

Salasário (2000, p. 105) explana que existem três princípios teóricos quanto ao conceito de bibliotecas especializadas: “os que se prendem ao acervo que a biblioteca possui e disponibiliza ao usuário, os que tratam do tipo de usuário que a freqüenta e os que associam o tipo do acervo ao tipo de usuário que a biblioteca possui.”
Segundo Figueiredo (1979, p.10), “as bibliotecas especializadas começaram a surgir no início do século XX por causa do crescimento nas áreas de ciência e tecnologia.”
A biblioteca especializada é direcionada a uma área específica do conhecimento, de forma que seu acervo e serviços atendam as demandas de informações e pesquisas.
Compete à biblioteca setorial coordenar, reunir, organizar, armazenar e divulgar a coleção, mantendo-a atualizada, visando otimizar seus  acervos bibliográficos de forma a atender seu público específico.
A gestão da coleção é fator fundamental à plena consecução dos objetivos das bibliotecas, e no caso das bibliotecas especializadas devem atender às necessidades de informação das organizações ou empresas às quais se encontram inseridas.
Na concepção de Miranda (2007) as bibliotecas especializadas têm como objetivo facilitar o processo de recuperação de informações específicas.  Seus usuários geralmente constituem uma clientela especializada e limitada com um nível elevado de qualificação, o que os torna mais exigentes nas solicitações das suas pesquisas por serem mais complexas.
Ashworth (1967, p. 632) enfatiza que "A biblioteca especializada é uma biblioteca quase exclusivamente dedicada a publicações sobre um assunto ou sobre um grupo de assuntos em particular. Inclui também coleções de uma espécie particular de documentos.”
Baseadas em todas essas definições, entendemos que na UEL a maioria das bibliotecas setoriais caracterizam-se como universitária especializada e de livre acesso.
A Biblioteca Setorial de Ciências Humanas – BSCH atende vários cursos de Graduação da área de Ciências Humanas, por isso seu acervo é composto por obras das diversas áreas do conhecimento.
Com seu foco direcionado para a área jurídica, a Biblioteca Setorial do Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos - BSEAAJ  é especializada na área de Direito.
A Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde – BSCCS é especializada nas áreas de Medicina, Enfermagem, Farmácia e Fisioterapia. 
Por conseguinte a Biblioteca Setorial da Clínica Odontológica Universitária – BSCOU é especializada na área de Odontologia.
 Os bibliotecários especialistas precisam possuir o conhecimento na área específica a que se destina a coleção, ou seja, qualificação profissional através de treinamentos específicos para a área de atuação, bem como adequar suas ações ao contexto, visto que a grande maioria dos Cursos de Graduação em Biblioteconomia forma bibliotecários generalistas
Miranda (2007, p. 92) indaga que “nas bibliotecas especializadas uma quantidade superior de documentos não convencionais, exigindo dos bibliotecários um maior empenho na busca, obtenção e processamento técnico desses materiais.”
Na concepção de Loureiro (2005, p. 1) o bibliotecário que está inserido em uma biblioteca especializada

exerce o papel de agente “intermediário” da informação, posto que o contato com assuntos diversos lhe proporciona uma visão ampla porém superficial do conhecimento humano. Nesse caso, seus esforços devem se concentrar na otimização dos serviços técnicos e de atendimento prestados pela unidade de informação, já que especializar-se em um ou outro assunto descaracterizaria sua função democrática de atender a uma comunidade com interesses heterogêneos.


Para Saraiva (2009), espera-se do bibliotecário uma postura frente a todos os recursos de disseminação da informação, enxergando a área específica na qual se está trabalhando de um modo mais sistêmico, holístico.
 É de fundamental importância, principalmente nos dias atuais, que o bibliotecário tenha pleno domínio dos instrumentos utilizados na disseminação de informações, atuando como agente de transformação, mediador entre usuários e documentos e promotor da competência em informação.

 


REFERENCIAS

ASHWORTH, W. Manual de bibliotecas especializadas e de serviços informativos. Lisboa Calouste Gilbenkian, 1967.
CUNHA, Murilo Bastos da; CAVALCANTI, Cordélia Robalinho de Oliveira. Dicionário de biblioteconomia e arquivologia.  Brasília: Briquet Lemos/Livros, 2008.
FERREIRA, Lusimar Silva. Centralização e descentralização das bibliotecas universitárias brasileiras. 1976. 250 fls. Dissertação (Mestrado em Administração Pública) - Escola Brasileira de Administração Pública. Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro. 1976. Disponível em: http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/handle/10438/8861 Acesso em: 14 abr. 2014. 
FIGUEIREDO, Nice. Bibliotecas universitárias e especializadas: paralelos e contrastes. Revista de Biblioteconomia de Brasília, v. 7, n. 1, p. 9-25, jan./jun. 1979.
LOUREIRO, Regina Célia Companholi.  A especialidade do bibliotecário jurídico: bases para uma interação com o usuário operador do direito. Disponível em: < http://www.infolegis.com.br/loureiro-especialidade.htm>. Acesso em: 05 mai., 2014. 

MIRANDA, Ana Cláudia Carvalho de. Formação e desenvolvimento de coleções em bibliotecas especializadas. Informação e Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 17, n. 1, p. 87-94, jan./abr. 2007. Disponível em: http://www.ies.ufpb.br/ojs2/index.php/ies/article/view/463/1468. Acesso em: 15 abr. 2014.

SALASÁRIO, M. G. C. Biblioteca especializada e informação: da teoria conceitual à prática na biblioteca do laboratório de Mecânica Precisão – LMP/UFSC. Revista ACB, Florianópolis, v. 5, n. 5, p. 104-119, 2000. Disponível em: http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/351/415 Acesso em: 15 abr. 2014.
SARAIVA, L. R. O perfil do bibliotecário que atua na área do direito: o caso da biblioteca do Senado Federal. 2009. 85 f.  Monografia (Graduação em Biblioteconomia) - Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Ciência da Informação e Documentação, Universidade de Brasília, Brasília, 2009. Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAABpLUAL/perfil-bibliotecario-que-atua-na-area-direito-caso-biblioteca-senado-federal>. Acesso em: 15 abr. 2014.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

A catalogação como possibilidade de mediação da informação

Prof. Ms. João Arlindo dos Santos Neto
Departamento de Ciência da Informação da UEL

O termo “Mediação da Informação” está presente no discurso dos profissionais da informação de forma expressiva. Normalmente os bibliotecários, arquivistas, museólogos e gestores da informação se consideram mediadores da informação. No entanto, quando se questiona quais são as ações de mediação que esses profissionais desempenham, a maioria deles se referem às ações que são realizadas com a presença do usuário na sua unidade de informação.
Isto posto, justifica-se a exposição do conceito de mediação da informação, que segundo Almeida Júnior (2008, p. 46):

[...] é toda interferência - realizada pelo profissional da informação -, direta ou indireta; consciente ou inconsciente; singular ou plural; individual ou coletiva; que propicia a apropriação de informação que satisfaça, plena ou parcialmente, uma necessidade informacional. (ALMEIDA JÚNIOR, 2008, p. 46).

A partir do conceito do referido autor, é possível compreender que a mediação da informação ocorre em todas as ações do profissional da informação e, não somente naquelas em que o usuário está presente. A  mediação está diretamente ligada às ações implícitas e explícitas que são voltadas para o usuário, e que a mesma é fundamental em todas as práticas do profissional da informação. Tendo em vista esse cenário, o mesmo autor amplia o conceito de mediação da informação, e propõe que este permite o seguinte desdobramento: mediação implícita da informação e mediação explícita da informação. (SANTOS NETO, 2014).
Deste modo,

A mediação implícita, ocorre nos espaços dos equipamentos informacionais em que as ações são desenvolvidas sem a presença física e imediata dos usuários. [...] A mediação explícita, por seu lado, ocorre nos espaços em que a presença do usuário é inevitável, é condição sine qua non para sua existência, mesmo que tal presença não seja física, como, por exemplo, nos acessos à distância em que não é solicitada a interferência concreta e presencial do profissional da informação. (ALMEIDA JÚNIOR, 2009, p. 93).

Podemos inferir, resumidamente, a partir do exposto que a mediação implícita se dá nos espaços em que o profissional da informação, atua e não necessita da presença do usuário para desempenhar suas atividades. Já a mediação explícita, só ocorre se o usuário estiver presente, ainda que esta presença não seja física. (SANTOS NETO, 2014).
Nesse sentido, acredita-se que a catalogação é uma possibilidade de mediação da informação, de modo implícito, pois o bibliotecário interfere na descrição de um item bibliográfico, visando que este seja recuperado pelo usuário. Ainda que a catalogação seja direcionada por manuais e prescrições, ela é uma ação de interferência e de escolha do bibliotecário. Ao inserir metadados e descrever assuntos sobre um determinado item, o bibliotecário está interferindo diretamente no resultado da busca do usuário, podendo dificultar ou facilitar essa consulta.
Portanto, é importante ressaltar que a mediação da informação ocorre tanto nas atividades fins[1] quanto nas atividades meio[2] das unidades de informação. Para que a mediação da informação se concretize é necessário que a mediação implícita ocorra.
Acredita-se que os bibliotecários além de apresentarem em seu discurso o termo “Mediação da Informação”, é preciso também que eles realmente façam essa mediação e, que desempenhem o seu trabalho pensando sempre no usuário.

ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de. Mediação da informação: ampliando o conceito de disseminação. In: VALENTIM, Marta Lígia Pomim (Org.). Gestão da informação e do conhecimento. São Paulo: Polis; Cultura Acadêmica, 2008. p. 41-54.

SANTOS NETO, João Arlindo dos. Mediação Implícita da Informação no discurso dos bibliotecários da Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina (UEL). 175f. 2014. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Faculdade de Filosofia e Ciências, Campus de Marília/SP, 2014.



[1]   Considera-se como atividades fins o empréstimo, os serviços de referência etc.
[2] As atividades meio contemplam, entre outras, a compra, doação, permuta, catalogação, classificação, restauração, conservação etc.