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quinta-feira, 21 de julho de 2011

TEMPO DE CORDEL

Postado por Izabel Maria de Aguiar
(Bibliotecária, coordenadora da Comissão de Literatura de Cordel do SB-UEL)

O QUE É CORDEL

Literatura de cordel é o nome atribuído a pequenos romances em versos. Possui esta denominação devido à forma como eram comercializados: pendurados em cordões. Chegou ao Brasil através dos colonizadores portugueses e popularizou-se no nordeste, onde adquiriu características próprias enquanto escrita, sobre assuntos variados e com temáticas baseadas na cultura popular.
Acredita-se que os primeiros cordéis brasileiros começaram a ser publicados no final do século XIX.
Os folhetos têm a função de entreter, utilizando temas como lendas, biografias, cangaceirismo, histórias de amor, ou levar seus leitores a fazerem reflexões sobre questões importantes como a política brasileira, a injustiça social, o abuso do poder, entre outros. Outra função importante, talvez a mais comum, é a informativa; neste caso, os cordelistas dedicam-se a escrever sobre acontecimentos de grande repercussão. Podemos citar como exemplo a morte de personalidades, desastres, a seca, reviravoltas políticas, entre outros. “A literatura de cordel é exatamente isso – cultura popular. Os versos estão sempre relatando acontecimentos, fatos políticos, artísticos, lendários, folclóricos ou pitorescos da vida como ela realmente é.” (PONTES, M. P., 2011)


CORDEL NA BC


Os folhetos de cordel normalmente são feitos de papel jornal, tamanho sulfite, e dobrados em tamanho de bolso, o que facilita o extravio. Eles são frágeis para manuseio contínuo e exigem cuidados especiais antes de disponibilizá-los para consulta.
A Biblioteca Central possui uma coleção de literatura de cordel contendo aproximadamente 4.000 títulos. Esta coleção foi organizada em 1993, por processo manual, utilizando-se de fichas catalográficas para recuperação dos dados por autor, título e ciclo. Com o crescimento da coleção e o avanço da tecnologia, os dados foram inseridos em uma Base de Dados em Microisis desenvolvida para essa finalidade.
Neste mesmo ano foi lançado o primeiro catálogo impresso com a descrição da coleção, sendo possível recuperar as referências por autor (es), título(s), e/ou ciclo(s). Em 1997, foi lançado o segundo catálogo impresso, com a reunião de toda a coleção, seguindo o mesmo padrão da edição anterior. Em 2001, com o patrocínio da Fundação Araucária, toda a coleção de folhetos de cordel da Biblioteca Central foi disponibilizada em um CD-ROM (capas e referências).
Em 2003 foi criado um GRUPO DE PESQUISA em Literatura de Cordel, composto por uma equipe multidisciplinar do qual participam bibliotecários, professores dos departamentos de Ciências Sociais, de Artes, bem como de alunos de diversos cursos da UEL. Com o Grupo de Pesquisa deu-se início ao projeto: "TEMPO DE CORDEL: OS FOLHETOS DA BC; PESQUISA, EXTENSÃO, ORGANIZAÇÃO E DIVULGAÇÃO”, coordenado pela Profª. Drª. Raimunda de Brito Batista (Departamento de Ciências Sociais da UEL). (BATISTA, R. B., 2009)
A efetivação do Grupo de Pesquisa tem ocorrido por ininterruptas reuniões semanais dos pesquisadores envolvidos, visando a discussão de estratégias de estudo, pesquisa, catalogação, preservação, oficinas de cordel e xilogravuras, exposições e de uso da linguagem do Cordel. O acervo de cordel da BC/UEL é utilizado como principal fonte de pesquisa. Como resultado de trabalho, o Grupo de Pesquisa já desenvolveu Projetos de Iniciação Científica; Exposições e Oficinas sobre cordel; o Programa “Tempo de Cordel” com declamações de versos de cordel, na rádio FM/UEL; apresentações de trabalhos em eventos da área e a criação do blog Tempo de Cordel.
Em 2008, foi oficializado o GRUPO DE TRABALHO composto por alguns funcionários da Biblioteca Central, para prosseguir os trabalhos já iniciados com os folhetos de cordel.

Pretende-se com este trabalho divulgar recursos que viabilizem a preservação e disseminação desta literatura, por meio de arquivos digitalizados; democratizar a informação através de mecanismos que facilitem o acesso à coleção de cordel como um instrumento de leitura e pesquisa; contribuir para o reconhecimento da diversidade cultural brasileira; estimular o desenvolvimento da pesquisa e o registro da cultura popular no país, além de servir como tripé de uma instituição universitária: ensino, pesquisa e extensão.

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